quarta-feira, 29 de maio de 2019

Ode ao surdo

Ao lugar dos broncos rogam as almas
Que plos anseios nos multiplicam
Pardas crises, gritos, vozes de loucos
Mas uma vaga de ouvidos moucos
Aos que as mãos de Deus mais purificam

Deixai a sombra ó cordeiro, deixai
A sombra; e clama ao alto por esperança
Sonda o pai o coração do justo, decerto
Mas o prudente estacou surdo no deserto
E trespassou a treva como uma lança

Bendito ao surdo voluntário, bendito!
Sejais primeiro nas benesses
E derradeiro a emprenhar

Plos ouvidos teus tão férteis
Cuja fala é a semente, da mentira, orelha o ventre
Que decidiste cercear.

João Luciano, 2019